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. 18.6.07 .
dizem que é do John Lennon...
"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"
. 29.5.07 .
por um mundo sem fantasias
Sim, mais um ensinamento para mim: não confiar em discursos apaixonados demais. Eu, no meu estado maior de sobriedade e timidez, me apaixono, e sofro por paixão, sem que ninguém precise saber de nada. E isso não quer dizer que eu seja menos apaixonada que outros. Falar demais o que se sente é tentar provar a si mesmo que aquelas palavras tão fracas podem se tornar algo mais forte no coração. Tudo besteira... Não, eu não preciso mais disso. Eu preciso sim de certezas, não de covardia. Preciso de olhares e ações, e não de palavras. Parentes perfeitos não existem, amigos perfeitos não existem, amores perfeitos não existem, e eu fico orgulhosa de não ser mais uma menininha... e de não precisar mais sonhar com isso.
Pela primeira vez, sinto vontade de não perdoar. Como se perdoar fosse para fracos. Na verdade não... acho que a força está em dar, através do perdão, a consciência tranquila a quem não merecia a ter, enquanto o que sobra é a resignação em não poder mostrar ao outro que o erro não é apenas um erro, que ele causa traumas incuráveis.
Eu não preciso ser forte. Nem quero. Eu só quero ter olhos suficientes para poder enxergar o lado bom das coisas, ser egoísta para pensar mais em mim, ser inconsequente para sair da rotina e ter um pouquinho de razão para não repetir o erro alheio. Minha contribuição para um mundo mais real.
. 20.5.07 .
mudar
Tudo é pequeno demais perto da nossa vulnerabilidade. E apesar de, num primeiro momento, isso parecer ruim, eu agradeço por ser verdade. Somos vulneráveis sim, de maneira que nem ao menos conseguimos prever nossos próximos passos. Se em um dia espumamos de raiva, imaginando que esse sentimento não possa passar nunca, em outro, sem que ao menos percebamos, algo maior preenche esse espaço e o resultado final é absurdamente melhor: onde antes estava a raiva, fica a indiferença. E onde havia um vazio sem fim, ocupa-se com novas ilusões, novos motivos pelos quais vale a pena sonhar. Até o dia em que a inércia é novamente quebrada, sorte nossa, porque não vale a pena sonhar a vida inteira com a mesma coisa.
. 29.4.07 .
Aquele domingo foi uma metáfora de si mesma. Primeiro, ela dormiu, dormiu, até que suas costas doessem tanto que a única coisa a fazer era se levantar. Embaixo do chuveiro, sentiu a realidade tornando-se presente à medida que o sono ia embora, e a partir daí, não conseguiu parar nem mais um minuto. A bagunça no armário, as coisas brigando por um espaço na confusão, tudo aquilo que a incomodava há tempos, mas que adiava em resolver. As roupas foram parar todas em cima da cama, divididas em dois grupos, o do "este fica" e o do "este vai embora". Depois, as que ficaram foram devolvidas a seus lugares, de forma muito mais organizada, sem competir por espaço, sem amarrotar, sem maiores danos pela perda de parte do guarda-roupas. Depois foi a vez dos papéis. Papéis são coisas que vão se acumulando incontrolavelmente, e é impressionante como grande parte deles não representavam mais nada. Foram todos pro lixo. E mais um espaço ficou livre.
Naquela tarde, organizando toda a tranqueira acumulada, percebeu a quantidade de medicamentos que tinha no armário. Separou-os, retirou-os de suas caixas para que não ocupassem muito espaço e guardou-os em uma necessaire, junto com as bulas. As bulas agora eram importantes, uma vez que, nos últimos 2 anos, havia aprendido a se auto medicar. Não tinha orgulho disso, é verdade, mas a necessidade e a falta de tempo falaram mais alto. Naquela necessaire havia de tudo, para todos os problemas, e não era mais necessário que ligasse para a mãe chorando, perguntando o que fazer, deixando um coração apertado do outro lado da linha. Guardou a pequena farmácia no fundo do armário, mas não sem antes retirar o remédio para dor, porque as costas ainda doíam.
Temendo a chegada do frio, colocou as roupas de inverno que estavam no fundo do armário para lavar. Deveria precisar delas em breve. Empacotou as roupas que iriam embora, alguém tiraria melhor proveito. Os últimos detalhes da arrumação, fez de qualquer jeito, pois já havia se arrependido de começá-la. Mas o resultado final foi positivo. Ao se sentar para descansar, lembrou-se dos impulsos de arrumação da mãe, e como sempre reclamava quando isso acontecia. E ali estava ela, fazendo o mesmo, crescendo e se encontrando igualzinha àquela mulher. Sentiu orgulho. Olhou no relógio, a tarde já ia longe. Foi consultar a geladeira, pensando que mais do que seu armário, sua vida também precisava de uma boa faxina.
E meu dia começou com um clown encantador de jeans rasgado, paletó e chapéu vermelho. Por baixo dos chapéus, cabelos encaracolados de anjo, e um sorriso que agradecia uma gentileza. É o tipo de coisa que sempre acontece comigo: olhar alguém no ônibus ou no metrô e sentir uma vontade imensa de conversar, saber sobre a vida alheia, falar livremente sem a obrigação das velhas convenções, uma vez que chegado o ponto de desembarque, cada um segue para seu lado e nunca mais se vêm na vida. Mas estamos em São Paulo. E em São Paulo as pessoas não conversam com desconhecidos. E eu fui embora, ainda imaginando que alguém que usa chapéu vermelho necessariamente deve ser uma pessoa legal...
. 21.4.07 .
A Multiplicidade do real
Paulo Leminski
Que existe mais, senão afirmar a multiplicidade do real?
A igual probabilidade dos eventos impossíveis?
A eterna troca de tudo em tudo?
A única realidade absoluta?
Seres se traduzem.
Tudo pode ser metáfora de alguma outra coisa ou de coisa alguma.
Tudo irremediavelmente metamorfose!
(Porque eu desanimei de escrever e descobri que existem certas pessoas que conseguem dizer exatamente o que eu penso de forma muito mais bonite e agradável)
. 15.1.07 .
Depois de uma semana exaustiva, a sexta-feira serve para encostarmos a cabeça no travesseiro e desmaiarmos para nunca mais querer acordar. A sensação é a mais reconfortante possível, e o desejo é permanecer prá sempre daquele jeito. A manhã chega, se adianta, e lá permanecemos, tentando manter aquele momento, até que o barulho de fora começa a atrapalhar, as costas começam a doer e chega uma hora que, por mais que você não queira, é preciso sair da inércia, tomar a atitude não desejada, acordar para o dia.
Minhas costas começam a doer... acordar é, inevitavelmente, o próximo passo.
. 26.12.06 .
sobre famílias e festas
dia estranho, festa estranha, excitação nostálgica, lamentações pelo que poderia ter sido e não foi, lembranças de natais felizes, pessoas afogando mágoas em bebida e comida, pessoas que mal conseguem engolir a ceia, talvez fosse aquela data que não conseguia passar garganta abaixo.
pessoas procurando, desesperadamente, por um fato, um motivo, algo que salvasse a noite. planejar o ano novo, em meio àquela festa, era a atitude mais plausível. o que é até aceitável no natal, não pode ocorrer no reveillon, sob hipótese alguma.
não vendo salvação alguma para a festa que viria na próxima semana, a grande idéia da noite foi: tequila, antidepressivo integrador social, e música, canalizador de energias excedentes.
um reveillon regado apenas a conversas ao redor de uma mesa não seria uma má idéia, se isso não ocorresse todos os anos, desde os meus 0 anos. família é algo muito, muito bom. mas é fato que, com o passar do tempo, os assuntos permanecem os mesmos, os pontos de vista infelizmente não mudam muito, os assuntos polêmicos só servem para irritar um ou outro e mais nada. as músicas são as mesmas de 20 anos atrás, só a voz é que está um pouco mais rouca. a embriaguez alheia pode divertir, mas também pode incomodar. a juventude pouco interage com a experiência, algumas vezes por culpa nossa, outras por culpa deles, que não querem ver que nós crescemos. não. nada daquilo diverte a ninguém, tudo é apenas uma questão de costume, de comodidade, de conveniência.
então, embriaguemo-nos todos. assim todos falam sem precisar prestar muita atençâo em sua própria voz, e muito menos na voz alheia. Assim, todas as diferenças desaparecem e permanece apenas o grande motivo por todos estarem juntos nesse dia: são uma família e, apesar de todas as diferenças, se amam e por isso não há também, nenhum motivo para estarem separados.
. 19.12.06 .
ano novo. Sempre fazia suas promessas para o próximo ano, e prometer mudanças de iniciativa eram sempre muito frequentes, mas iam se acumulando com o passar dos anos, já que nunca conseguia realizar nada. Neste ano, porém, uma surpresa agradável. Só não se sabe se foram as promessas de anos anteriores acumuladas que resolveram se manifestar, ou se foram as promessas ainda não feitas para um próximo ano que resolveram se adiantar, tamanha era a vondade de mudança. Mas o fato é que mudou, suas vontades foram se transformando em ações de uma maneira bonita, uma vez que a essência continuava intacta. Afinal, descobriu que o grande entrave da sua vida era o medo, fantasiado dos mais diversos personagens, brincando com ela todos os dias. Às vezes se chamava insegurança. Outras, timidez. Dificilmente se mostrava como medo mesmo: antes aparecesse nu e cru sempre, pelo menos ela saberia sempre com quem estava lidando.
Mas antes tarde do que nunca. Bastava uma simples ação, um "pagar prá ver", um "não pensar nas consequências" para descobrir o sentido daquela frase pieguíssima: "Antes se arrepender do que fez, do que se lamentar eternamente pelo que não fez". E como é péssimo admitir que às vezes essas frases de impacto não são apenas frases de impacto.
. 11.12.06 .
A coisa que ela mais odiava no mundo, era quando sentia que havia feito algo que não tinha sua cara. Ou então, algo que a fazia voltar a refletir sobre o velho e desgastado assunto do "quem-sou-eu-qual-é-meu-lugar-no-mundo". E mais uma vez, lá estava ela não sendo sua auto imagem, seu eu construído com árduo trabalho de anos, mas sempre mal acabado. Havia mais uma peça para ser encaixada no quebra-cabeça de sua personalidade. Seria esta peça descartável, uma exceção, algo que não convém tentar encaixar? Este é o seu desejo, do fundo da alma. Como gostaria de apenas apreciar a peça, fora do quebra-cabeça, com toda sua beleza de momento único. Mas não. Por que ser tão crítica consigo mesma?
No fim das contas, ela percebe que continua sendo uma garota, apesar do passar dos anos. Ela aprende uma coisa nova a cada dia, vive emoções diferentes a cada momento, mas não consegue perceber maturidade em seus próximos passos. Essa menina insegura, que escreve em terceira pessoa por ter medo de se sentir vulnerável, ao mesmo tempo que permite que qualquer um entre em sua vida, através de uma página na web. Barroca demais prá ser verdade.
. 2.12.06 .
balanço geral. Veja só como são as coisas... quando dizem que a memória é algo besta, que gosta de suavizar os fatos ruins e dar ainda mais ênfase nas coisas boas, isso é totalmente verdade. Vide a semana que passou. Não comi direito, não dormi direito, corri que nem uma desgraçada, não consegui ser boa nem no meu trabalho, nem na minha facul, e por isso não via a hora dela terminar.
Ontem acabou tudo. Para mim, semana nova. E hoje a única coisa em que eu consigo pensar foi: "acabou, e agora?". Nem eu acredito no que tá se passando na minha cabeça, mas a verdade foi que, em meio a essa semana tão difícil, tiveram muitas coisas boas, que eu só consigo enxergar melhor agora. Coisas boas que irão embora junto com a semana que já passou, coisas que eu não sei se voltam.
Ontem, apesar de poder ir dormir mais cedo, fiquei acordada até altas horas. Hoje, meu despertador tocou às 7 e eu já estava acordando para começar um novo dia... quando eu me lembrei que era sábado. E tinha acabado. Eu podia dormir até tarde, e a sensação não foi de alívio... o fato é que tudo aquilo, todo o pacote da semana, com suas coisas boas e ruins, me fez sentir viva mais do que nunca, e forte, de uma maneira como eu nunca tinha me sentido.
Nessa semana, eu não pensei em pessoas que não mereciam, na verdade nem tempo eu tinha prá isso. E agora eu sei como minha vida é tão melhor sem a presença delas. E eu descobri outras que são tão mais importantes pra mim...
E eu descobri onde vale apena investir meus esforços e quais são as coisas que podem me frustrar no futuro. Grande ironia: são nessas coisas que eu quero investir. Pela primeira vez, sem olhar para o futuro, apenas levando em conta o que me faz bem no presente.
E é isso... meu balanço de uma semana caótica... mas intensa!
. 25.11.06 .
sensitive. Mais ouvidos do que boca, mais sentimentos do que olhos, mais pernas do que paciência, menos mãos do que braços, mais braços do que boca, mais sonhos do que ações, tato de momentos eternos que acabam em segundos, visão sempre embreagada, que não acompanha sua cabeça e acaba sem enxergar o que deveria ter visto, mas vê o que nunca existiu. nonsense.
. 19.11.06 .
A cada dia que passa eu me conformo menos com a covardia alheia.
Covardia é atraso de vida, covardia faz com que se viva toda a vida sentindo vergonha de cada passo dado.
Felizmente, desse mal eu não morro.
Mas ah, como eu queria que a carapuça servisse...
Aquele filme nem era bom. Então por que raios me fez pensar tanto, e em tanta coisa que tava escondida bem lá no fundo, onde nem eu mesmo sabia? De repente, voltando para casa, eu ouço a conversa entre as pessoas do carro. E elas são pessoas realizadas, que trabalham e gostam do que fazem. Senti inveja. E se senti inveja, é porque não gosto do que eu faço. Esses dias comecei a pensar, como as pessoas em que eu me espelhava profissionalmente são mesquinhas, como é pequeno trabalhar para ganhar prêmios, fazer propaganda descarada de si mesmo, será que já não basta anunciar todo o resto? Pensei também na minha relação com São Paulo e Bauru. Em como São Paulo é o lugar das minhas aventuras, e em como Bauru é meu porto seguro, o lugar onde eu vou para me esquecer de todo o resto. E como eu sou feliz quando estou aqui, e não lá. Por quê? Talvez porque eu não seja uma pessoa muito dada a aventuras. Talvez seja apenas medo de me confrontar com o que está vindo por aí. Jostamente porque eu não sei o que está vindo.
Meus amigos... como é diferente a relação com os de cá e com os de lá. Eu amo meus amigos de São Paulo, porque eles me conhecem como a eles mesmos, cada pedacinho de mim, e me aceitam como eu sou. Amo meus amigos de Bauru, porque eles não se importam com que eu sou, não tentam me conhecer, a gente simplesmente senta na mesa de um bar e passa horas rindo e falando de qualquer coisa. Cada um deles são justamente do que eu preciso em cada um dos dois lugares onde eu vivo.
O que eu quero da minha vida... Não sei. Não quero me matar de trabalhar, não quero fama, quero dinheiro o suficiente para viver bem, quero amigos à minha volta, morro de medo do tempo passar, cada um tomar seu rumo e eu simplesmente ficar sozinha. Parece uma grande bobagem, mas também é um grande temor. Um bem grande, entre tantos outros...
Talvez se eu conseguir colocar todos eles pra fora, nem que seja escrevendo desesperadamente, um dia eu não esteja mais tão sufocada, a ponto de não conseguir fazer nada. Como hoje. Como agora.
. 7.11.06 .
paulo leminski.
Amor, então,
também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
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